Voltar ao Blog | Ensino e pesquisa 25 Janeiro, 2026

Calculadoras de eletroneuromiografia (calculadora ENMG)

Médico realizando potencial evocado somatossensitivo com eletrodo no tornozelo do paciente

As calculadoras de Eletroneuromiografia Eletrodiagnóstico (Abra aqui) reúnem ferramentas de apoio ao laudo de Eletroneuromiografia (ENMG): índices quantitativos, checklists de critérios diagnósticos e tabelas de referência normativa para adultos e crianças. Todas funcionam diretamente no navegador, sem instalação, e podem ser acessadas do celular durante o exame.

Síndrome do Túnel do Carpo

A Síndrome do Túnel do Carpo (STC) é a neuropatia focal mais comum e conta com três calculadoras dedicadas ao seu diagnóstico eletrofisiológico, desde as formas leves até os casos graves.

CSI Índice Combinado Sensitivo (Robinson)

O Combined Sensory Index (CSI), também chamado de Índice de Robinson, soma as diferenças de latência de três estudos comparativos na mesma mão: medianoulnar no 4º quirodáctilo (D4), medianoradial no 1º quirodáctilo (D1) e medianoulnar palmar. O resultado quantifica a lentificação focal do nervo mediano no punho. Normal < 0,9 ms; valores acima indicam neuropatia focal do mediano mesmo quando os parâmetros isolados estão dentro da normalidade. o teste de maior sensibilidade disponível para STC incipiente, graças ao efeito de somatória das três diferenças.

ILT Índice de Latência Terminal

O Índice de Latência Terminal (ILT) é calculado como ILT = Distância / (LMD VCM), onde LMD é a Latência Motora Distal em ms e VCM é a Velocidade de Condução Motora em m/s. O índice compara a velocidade distal com a proximal, revelando um retardo desproporcional no segmento terminal. 0,34 = normal; entre 0,25 e 0,34 = lentificação distal compatível com STC ou desmielinização focal; < 0,25 = lentificação terminal grave, sugestiva de neuropatia anti-MAG ou outras gamopatias monoclonais. A calculadora aceita múltiplos nervos bilateralmente, exibindo o padrão de acometimento nervoso de forma tabular.

USMAR na diferenciação STC vs. neuropatia difusa

O USMAR (detalhado na seção de neuropatias imunomediadas) também auxilia nos casos de STC bilateral para diferenciar compressão focal de uma ganglionopatia sensitiva subjacente que pode mimetizar ou coexistir com a compressão mecânica do nervo mediano.

Polineuropatia e Axoniopatia Distal

As polineuropatias comprometem múltiplos nervos de forma difusa. A ENMG diferencia padrões axonais de desmielinizantes e avalia comprimento-dependência informação essencial para orientar a investigação etiológica. Duas calculadoras são especialmente úteis nesse contexto.

Z-Score PNP Índice Combinado de Polineuropatia

O Z-Score PNP combina velocidade de condução e amplitude de múltiplos nervos em um escore padronizado por idade e altura do paciente. Disponível em dois modelos populacionais: Brasil e Suécia (Lindblom/Hansson). Ao inserir os dados, o índice classifica a polineuropatia como leve, moderada ou grave útil tanto para diagnóstico quanto para o acompanhamento longitudinal de neuropatia diabética, alcoólica, por quimioterapia e outras formas de polineuropatia adquirida.

Razão Sural/Radial (SRAR)

A Razão Sural/Radial (SRAR) compara a amplitude do SNAP sural (nervo distal, membro inferior) com o radial (nervo proximal, membro superior). Em polineuropatias axonais comprimento-dependentes como a neuropatia diabética e a induzida por quimioterapia , o sural é afetado antes e mais intensamente que o radial: SRAR < 0,40. Valores > 0,33 em pacientes sintomáticos orientam para neuropatias não comprimento-dependentes, como Síndrome de Sjögren (Neuronopatia Sensitiva SNN) ou CIDP. O índice é calculado bilateralmente.

ILT na neuropatia anti-MAG

O ILT < 0,25 é marcador sensível de lentificação terminal desproporcional, padrão característico da neuropatia por anticorpo anti-MAG associada a gamopatias monoclonais IgM. Facilmente identificável ao calcular o ILT em todos os nervos estudados na ENMG de membros superiores e ENMG de membros inferiores.

Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA)

A ELA (CID G12.2) é uma doença degenerativa do neurônio motor. A eletromiografia com agulha demonstra o comprometimento do neurônio motor inferior em múltiplas regiões; duas calculadoras quantitativas complementam a análise dos estudos de condução nervosa e auxiliam no seguimento da doença.

Split Hand Index (SHI)

O Split Hand Index (SHI) é calculado como SHI = (APB IOD) / ADM, onde APB é o abdutor curto do polegar (inervação mediana), IOD é o primeiro interósseo dorsal (inervação ulnar) e ADM é o abdutor do 5º dedo (inervação ulnar). Na ELA, há perda precoce e desproporcional da musculatura tenar (APB) em relação à hipotenar (ADM) fenômeno denominado split hand. SHI < 5,2 é sugestivo de ELA com sensibilidade de 74% e especificidade de 8088%. A calculadora avalia também o Split Hand Reverso (ADM/APB): valores < 0,6 afastam ELA e sugerem Doença de Hirayama, Atrofia Muscular Espinal (AME) ou radiculopatia C8; valores 4,5 favorecem ELA.

Índice Neurofisiológico (NI)

O Índice Neurofisiológico (NI) é calculado como NI = (CMAP / LMD) Freq. Onda F, combinando amplitude do CMAP, latência motora distal e porcentagem de respostas da Onda F. O NI reflete o número funcional de unidades motoras e sua queda progressiva acompanha a evolução da ELA tornando-se um biomarcador quantitativo de progressão da doença. calculado bilateralmente para os nervos mediano, ulnar, tibial e fibular, permitindo acompanhamento sistemático ao longo do tratamento.

Neuropatias Imunomediadas CIDP e Ganglionopatia

Checklist CIDP Critérios EAN/PNS 2021

O Checklist CIDP implementa os critérios eletrodiagnósticos da diretriz conjunta EAN/PNS 2021 (2ª revisão) para diagnóstico de Polineuropatia Inflamatória Desmielinizante Crônica. Avalia sistematicamente cada nervo estudado mediano, ulnar, fibular e tibial verificando se os parâmetros de condução atingem os limiares de desmielinização definidos pela diretriz: latência distal aumentada, velocidade de condução reduzida, latência da Onda F aumentada, bloqueio de condução e dispersão temporal. O resultado indica em cada nervo se o critério de desmielinização é preenchido, facilitando a aplicação rigorosa dos critérios durante o laudo da ENMG dos quatro membros.

USMAR Ganglionopatia Sensitiva

O USMAR (Upper-limb SensoryMotor Amplitude Ratio) calcula a razão SNAP / CMAP no nervo ulnar. < 0,71 sugere ganglionopatia sensitiva (neuronopatia sensitiva), padrão associado a Síndrome de Sjögren, paraneoplasia e toxicidade por cisplatina. A ganglionopatia compromete o corpo celular do neurônio sensitivo no gânglio da raiz dorsal, resultando em perda sensitiva multifocal não comprimento-dependente com SNAP muito reduzido e CMAP preservado o que se traduz em USMAR baixo. A calculadora avalia ambos os lados de forma independente.

Plexopatia Braquial

O Checklist de Plexopatia Braquial organiza os estudos de condução nervosa (ECN) e a eletromiografia com agulha recomendados para a investigação do plexo braquial, dividindo nervos e músculos por troncos (superior, médio e inferior) e cordões (lateral, posterior e medial). O checklist cobre plexopatias traumáticas, neoplásicas (Síndrome de Pancoast), por radioterapia e neurálgicas (Síndrome de Parsonage-Turner). O layout bilateral incentiva a comparação sistemática entre os lados essencial nas lesões assimétricas e é especialmente útil durante a realização da ENMG de membros superiores.

Respostas Tardias Onda F e Reflexo H

A Calculadora de Onda F & H é a ferramenta mais abrangente do conjunto e integra três abordagens para o cálculo das respostas tardias:

  • Regressão linear (Ulnar e Tibial): calcula a latência esperada da Onda F por equações de regressão ajustadas por altura, com o limite superior de normalidade para comparação imediata com o valor obtido.
  • Método de Stålberg & Johnson: estima a latência da Onda F (nervos ulnar e tibial) pela fórmula baseada na distância de condução e na velocidade nervosa medida no mesmo exame.
  • Reflexo H (H-reflex): calcula a latência esperada do reflexo H tibial em função da distância poplíteo-maléolo medial, com limites de normalidade por altura (tabelas de Stålberg).

A calculadora avalia ainda a diferença bruta UlnarMediano da Onda F, útil na suspeita de Síndrome de Saída Torácica neurológica. As respostas tardias são especialmente relevantes na avaliação das radiculopatias e dos segmentos proximais do nervo, complementando a análise distal da ENMG de membros inferiores.

Potencial Evocado Somatossensitivo (PESS)

A Calculadora de PESS oferece uma análise completa do potencial evocado somatossensitivo, cobrindo tanto o PESS de membros superiores (nervo mediano) quanto o PESS de membros inferiores (nervo tibial e sural). Para cada nervo e cada componente, a calculadora:

  • Compara as latências absolutas com os limites de referência de seis autores: Chiappa, DeLisa, Maguière, Hussain, Manguini e EPM (Escola Paulista de Medicina/UNIFESP).
  • Calcula os intervalos interpicos (ex.: N9N13, N13N20/P22 para o mediano; N22P31, P31P38 para o tibial), que localizam o nível topográfico da lesão na via somatossensitiva.
  • Calcula a diferença inter-lados (assimetria de latência), sinalizada quando excede o limite normativo indicador sensível de lesão unilateral.
  • Classifica cada resultado como normal, limítrofe ou alterado com código de cores, agilizando a elaboração do laudo.

O PESS é indicado na investigação de mielopatias cervicais e torácicas, esclerose múltipla, síndromes medulares, radiculopatias e monitoração neurofisiológica intraoperatória. A calculadora abrange os componentes periférico (N9/Erb), cervical (N13) e cortical (N20/P22) do mediano, e os componentes lombar (N22), tronco encefálico (P31/N34) e cortical (P38) do tibial.

Tabelas de Referência Normativa

Referências ENMG Adultos

A Tabela de Referências ENMG para Adultos consolida os valores normativos de condução nervosa de sete referências clássicas: Ferrante & Wilbourn, Kimura, Preston & Shapiro, AANEM (American Association of Neuromuscular & Electrodiagnostic Medicine), Mayo Clinic, EPM/UNIFESP, Weiss e Michell. Para cada nervo motor e sensitivo, a tabela apresenta os limites de normalidade de cada fonte lado a lado. possível filtrar por nervo ou por autor. a ferramenta de consulta rápida durante a elaboração do laudo especialmente útil ao interpretar os resultados do exame ou ao decidir qual referência bibliográfica aplicar em um laboratório específico.

ENMG Pediátrica Referência por Faixa Etária

A Tabela de ENMG Pediátrica organiza os valores normativos de condução nervosa por faixa etária de 0 a 18 anos, com dados de Ryan et al. 2019 (Mayo Clinic), Parano 1993, Kang 2017 e Kimura. A mielinização progressiva das fibras periféricas ao longo da infância torna indispensável o uso de valores normativos pediátricos específicos para cada faixa etária os valores normativos de adultos não devem ser aplicados em crianças. A tabela cobre os principais nervos motores e sensitivos dos membros superiores e inferiores, com destaque para o nervo mediano, ulnar, fibular, sural e tibial.

Perguntas frequentes sobre este tema

A calculadora substitui a avaliação do neurofisiologista no dia do exame?

Não. É ferramenta educativa para estimar tempo e planejamento; decisões finais de protocolo dependem da história clínica e do exame físico orientando o especialista.

Por que protocolos mais longos aparecem na estimativa mesmo sem sintomas nos quatro membros?

Se você marcou investigação para polineuropatia ou doença do neurônio motor, o algoritmo assume necessidade de avaliação mais ampla, condiz com prática em centros de referência.

Posso usar o resultado para saber preço exato antes de ligar?

Serve como orientação de complexidade; valores são confirmados na agenda com tipo de protocolo fechado e eventual técnica especial associada.

Técnicas especiais sempre aparecem somadas ao tempo-base?

Sim quando selecionadas, ENR e fibra única adicionam blocos de tempo porque são etapas extras após ou integradas ao estudo principal.

Dr. Wardislau Ferreira - Especialista em Eletroneuromiografia e Neurologia
Autor(a) Médico(a)
Dr. Wardislau Ferreira

Médico com graduação pela Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais, residência em Neurologia e residência em Neurofisiologia Clínica pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Experiência em neurologia clínica, doenças neuromusculares, doenças do sono, epilepsia e distúrbios do movimento, com atuação em hospitais de referência e participação em projetos de intervenção em saúde. Autor de artigos científicos publicados em periódicos internacionais e capítulos de livros, além de premiado em congresso internacional.

Revisão técnica: Dra. Carina Massaro

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