Razão Sural/Radial

Calculadora Sural/Radial para ENMG: diferencia neuropatia axonal distal de polineuropatia por quimioterapia ou neuropatia diabética. Uso clínico exclusivo.

A razão Sural/Radial (SRAR) auxilia no diagnóstico diferencial de polineuropatias axonais comprimento-dependentes vs não comprimento-dependentes.

SRAR = Amplitude SNAP sural / Amplitude SNAP radial

< 0,40 — PNP axonal comprimento-dependente
> 0,33 (sintomático) — neuropatia não comprimento-dependente

Direito (R)

Razão (R)--

Esquerdo (L)

Razão (L)--

SRAR Esperado (ajustado por idade e sexo)

SRAR esperado --

Fórmula: SRAR esperado = 0,519 − (0,006 × idade) + (0,046 × sexo)

Sobre este índice e referências

O Índice Sural-Radial — mundialmente conhecido pela sigla SRAR (Sural/Radial Amplitude Ratio) — é um biomarcador eletrofisiológico que compara a amplitude do Potencial de Ação Nervoso Sensitivo (SNAP) do nervo sural (membro inferior) com a amplitude do nervo radial superficial (membro superior). Esta calculadora processa os valores inseridos e gera instantaneamente a razão, auxiliando no diagnóstico diferencial de neuropatias.

1. A Fisiopatologia e o Efeito da Idade (Por que usar uma razão?)

O uso de uma razão resolve um dilema comum no laboratório: diferenciar os efeitos do envelhecimento fisiológico dos efeitos de uma doença dos nervos.

A Regra do Comprimento-Dependente

Na vasta maioria das polineuropatias axonais (ex.: polineuropatia diabética), a degeneração afeta primeiro as fibras nervosas mais longas. A amplitude do nervo sural cai desproporcionalmente mais rápido e de forma mais acentuada do que a do nervo radial, que possui trajeto muito mais curto.

O Fator Envelhecimento

O envelhecimento normal causa perda natural de fibras mielinizadas, reduzindo progressivamente as amplitudes sensitivas de todos os nervos. Como essa perda fisiológica afeta ambos os nervos de forma global, a razão entre eles sofre impacto muito menor da idade do que seus valores isolados.

2. A Fórmula

SRAR = Amplitude do SNAP Sural (µV) / Amplitude do SNAP Radial (µV)

3. Interpretação dos Resultados

Normal — SRAR ≈ 0,71

Valor médio em indivíduos saudáveis. Estudos populacionais fixam o percentil 5 (limite inferior da normalidade) entre 0,20–0,21.

SRAR < 0,40 — Polineuropatia Axonal Comprimento-Dependente

Limiar mais amplamente aceito para anormalidade (sensibilidade e especificidade ~90% para PNP axonal leve — Rutkove 1997). Alguns estudos adotam cortes mais rigorosos: < 0,36, < 0,34 ou até < 0,21, dependendo da coorte.

SRAR preservado com sintomas neuropáticos — Ganglionopatia / NLDN

Nas neuronopatias sensitivas (ganglionopatias) e CIDP, a lesão ocorre no gânglio da raiz dorsal, fazendo fibras longas e curtas degenerarem na mesma proporção. Um SRAR > 0,33 em paciente com severa perda sensitiva aponta fortemente para neuropatia não comprimento-dependente em vez de polineuropatia clássica.

4. Limitações

Restrito a Casos Leves

O índice foi concebido para auxiliar no diagnóstico de polineuropatias axonais em fase leve ou incipiente. Em estágios moderados/graves, o SNAP sural frequentemente se torna ausente (numerador = 0), e o cálculo perde sua utilidade matemática para monitorar progressão.

Influência Antropométrica Residual

Apesar de minimizar o efeito da idade, a correlação com idade, sexo e altura ainda existe marginalmente. Para laboratórios avançados, propõe-se a fórmula do SRAR esperado:
SRAR esperado = 0,519 − [0,006 × idade] + [0,046 × sexo (H=1, M=0)]

Referências:
· Rutkove SB et al. Sural/radial amplitude ratio in the diagnosis of mild axonal polyneuropathy. Muscle Nerve. 1997;20(10):1236–1241.
· Overbeek BUH et al. Sural/radial amplitude ratio: reference values in healthy subjects. Muscle Nerve. 2005;32(5):613–618.
· Pourhamidi K. Normative data and quantile regression analysis of the sural-to-radial nerve amplitude ratio. J Clin Neurophysiol. 2025;42(2):145–148. doi: 10.1097/WNP.0000000000001084.
· Pegat A et al. Sural/radial amplitude ratio: a useful tool to diagnose non-length-dependent neuropathy. Muscle Nerve. 2026;73(1):34–40. doi: 10.1002/mus.70046.