O Índice de Latência Terminal (ILT) compara a condução distal com a proximal. Lentificação distal desproporcional reduz o índice — útil em STC, anti-MAG e polineuropatias desmielinizantes.
ILT = Distância distal (mm) / [VCM (m/s) × LMD (ms)]
| Nervo | Dist. (mm) | LMD-D (ms) | VCM-D (m/s) | ILT (D) | LMD-E (ms) | VCM-E (m/s) | ILT (E) |
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Sobre o índice
O ILT (Terminal Latency Index) é uma razão que compara a condução no segmento distal do nervo com a proximal. Quando a desmielinização é desproporcionalmente distal, a latência terminal aumenta sem queda proporcional da VCM proximal — o índice cai.
ILT ≤ 0,25 em dois nervos é altamente específico para neuropatia anti-MAG; na CIDP clássica o ILT tende a permanecer ≥ 0,25. Em diabéticos com STC superposta, ILT < 0,29 no mediano é sugestivo. O índice não se correlaciona com a altura do paciente.
Sobre este índice e referências
O Índice de Latência Terminal (ILT) — frequentemente referenciado pela sua sigla em inglês, TLI (Terminal Latency Index) — é uma ferramenta neurofisiológica quantitativa avançada utilizada para avaliar e comparar a condução no segmento mais distal de um nervo periférico em relação ao seu segmento proximal. Esta calculadora processa automaticamente os dados de condução nervosa motora inseridos pelo examinador, facilitando a interpretação clínica e o diagnóstico diferencial de polineuropatias desmielinizantes.
1. O Que o Índice Reflete?
O ILT é, essencialmente, uma razão que prevê qual deveria ser a latência terminal do nervo se a velocidade de condução fosse perfeitamente uniforme ao longo de todo o seu trajeto. Quando a desmielinização ou o dano neural é desproporcionalmente mais grave na porção distal do nervo (próximo ao músculo) do que no antebraço ou perna, a latência distal aumenta acentuadamente sem que a velocidade de condução proximal caia na mesma proporção. Isso “puxa” o valor do índice para baixo, revelando uma lentificação distal desproporcional.
2. A Fórmula Utilizada
Para quantificar esse fenômeno, a calculadora utiliza três parâmetros obtidos no estudo de condução motora de rotina:
- Distância Distal (mm): distância medida na pele entre o cátodo do estimulador distal e o eletrodo de captação ativo (E1) no músculo.
- Velocidade de Condução Motora — VCM (m/s): velocidade calculada no segmento proximal (ex.: entre o cotovelo e o punho).
- Latência Motora Distal — LMD (ms): tempo de condução no segmento terminal.
ILT = Distância Distal (mm) / [VCM (m/s) × LMD (ms)]
3. Interpretação dos Resultados
A interpretação dos resultados do ILT baseia-se nos seguintes pontos de corte:
- ≥ 0,34: normal — condução distal proporcional à proximal.
- 0,25 – 0,33: lentificação distal moderada (ex.: STC, desmielinização).
- ≤ 0,25: lentificação distal grave — condução terminal marcadamente prolongada.
4. Utilidade no Diagnóstico Diferencial
Neuropatia Associada ao IgM Anti-MAG (Fenótipo DADS)
O ILT é a principal ferramenta eletrofisiológica para esta suspeita. A patologia ataca desproporcionalmente a bainha de mielina distal, resultando em ILT tipicamente muito baixo (≤ 0,25 ou 0,26). Encontrar esse valor em dois nervos (ex.: mediano e ulnar) confere especificidade de ~90% para esta gamopatia.
Polirradiculoneuropatia Desmielinizante Inflamatória Crônica (PIDC / CIDP)
Na PIDC, a lentificação costuma ser mais proximal ou segmentar. O ILT tende a ser mais alto, tipicamente entre 0,35 e 0,45. Apenas ~16% dos pacientes com PIDC apresentarão ILT ≤ 0,25 em dois nervos.
Neuropatias Hereditárias (ex.: CMT1A)
Nestas doenças genéticas, a perda de mielina é homogênea, gerando “lentificação uniforme” por todo o nervo. Como a condução distal é tão lenta quanto a proximal, a proporção se mantém e o ILT resulta normal (≥ 0,25) nos casos clássicos.
Síndrome do Túnel do Carpo (STC) em Diabéticos
O ILT também sofre redução na STC devido ao bloqueio focal no punho. Em pacientes com polineuropatia diabética de base, um ILT < 0,29 no nervo mediano é forte indicador de compressão superposta no túnel do carpo.
5. Vantagem Adicional
Os valores do ILT não se correlacionam com a altura do paciente — ao contrário da latência da onda F isolada ou das latências distais absolutas —, conferindo a este cálculo uma aplicabilidade universal e independente da anatomia individual.
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- Cappelen-Smith C et al. Activity-dependent hyperpolarization in chronic inflammatory demyelinating polyneuropathy. J Neurol Neurosurg Psychiatry. 2002;73(2):179–184.